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História

Reconhecimento de paternidade muda história de família acreana; após 17 anos, pai volta a conviver com seus três filhos

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Audiência de conciliação realizada na Vara de Registros Públicos da Comarca de Rio Branco motivou mais uma aproximação real, impactando positivamente o relacionamento familiar.

O reconhecimento de paternidade espontânea muitas vezes muda a história de uma família. No caso do Horácio e seus três filhos, a audiência de conciliação é o marco de uma aproximação real, que tem impactado positivamente esses relacionamentos.

Após a averbação, os documentos de Joarlison, Joab e Guilherme foram encaminhados para atualização no cartório. Depois de 17 anos afastados, o pai voltou a morar no Acre. Inclusive, Guilherme, o filho mais novo, decidiu trabalhar junto com ele na agricultura, e seguem morando juntos.

“Toda a vida eles foram meus filhos, mas agora está no papel também”, enfatizou Horácio.

Documento com espaço em branco

A ex-companheira de Horácio registrou os três filhos sem o nome do pai. Segundo ela, a decisão foi necessária, já que ele tinha ido embora e os meninos que tinham 2, 7 e 8 anos de idade estavam sem documentos.

“Uma vez recebi uma carta da escola dos meus filhos falando da importância do reconhecimento de paternidade”, narra sua história. “Só que eu não sabia do paradeiro do Horácio e assim não era possível realizar o reconhecimento”, conclui.

Ele tinha ido embora para São Paulo. Então, quando houve os primeiros contatos, o pai combinou com os filhos de vir até Rio Branco. Segundo os rapazes, uma das primeiras afirmações é que ele iria registra-los.

Para a promessa ser cumprida, todos combinaram de ir até o Fórum Barão de Rio Branco, onde sedia a Vara de Registros Públicos e lá os vínculos foram legitimados.

A assistente social Ana Paula Paiva, que foi responsável pelo atendimento e por intermediar a conciliação, ressalta que esse foi um dia de resgate da história familiar. Já o juiz de Direito Edinaldo Muniz, que homologou o registro de paternidade, assinala a importância do Programa Pai Presente.

 “A forma mais eficaz de resolver amigavelmente uma paternidade é no Programa Pai Presente. Não é cobrada nenhuma taxa e também não precisa de advogado ou defensor público. Além disso, tudo é feito de maneira muito rápida”, explicou. Gecom TJAc.

BRASIL

Casal paulista adota três irmãos acreanos durante a pandemia

Assessoria, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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 Em um período conturbado, o contexto de dificuldades foi superado de forma inédita na adoção de três crianças.

Após oito anos de espera, um casal paulista realizou o sonho de ter filhos. Um projeto tão especial também foi realizado de uma forma única, porque mesmo em meio a quarentena, a concessão das crianças para a adoção, feita pelo Juízo da Vara Cível de Tarauacá, possibilitou que barreiras fossem superadas para essa nova família nascer.

Casados há 17 anos, eles passaram por gestações interrompidas e não puderam ter filhos biológicos. Assim, eles se habilitaram no Cadastro Nacional de Adoção e no seu perfil escolheram a possibilidade de ter três filhos, participando da pequena estatística de pessoas que pretendem ter uma grande família.

“Em março, eles receberam nossa ligação”, conta a juíza de Direito Joelma Nogueira. Ela diz que diante do contexto atual, a celeridade dos processos não parecia ser possível ou fácil, e para garanti-la, a tecnologia tornou-se uma grande aliada.

O processo de aproximação ocorreu a partir de junho, por meio de videoconferência, contando então com a ajuda dos profissionais da casa de acolhimento e dos servidores da comarca. Diante do contexto da pandemia, o acompanhamento remoto utilizou a tecnologia como aliada para a garantia de celeridade.

Os irmãos possuem, respectivamente, cinco, três e dois anos de idade. São dois meninos e a caçula é menina. Assim, para receber a guarda dos filhos e levá-los para casa, os pais tiveram que seguir ordens judiciais correspondentes ao momento, ou seja, foi necessária a realização do exame de Covid-19 antes de contato com as crianças.

“Nas casas de acolhimento foram canceladas visitas para evitar a contaminação e garantir a integridade dos protegidos, então agimos com prudência e segurança”, esclareceu a juíza.

O casal embarcou para Rio Branco, e depois viajou mais 400 quilômetros para ter o abraço mais esperado de sua vida. O encontro foi marcado pela emoção, com abraços, sorrisos e lágrimas. Cinco dias depois, a família se despediu, portanto, na última sexta-feira, 10 , logo, este foi o primeiro fim-de-semana no novo lar.

“De forma muito tranquila e segura, os três irmãos foram entregues à família adotiva, onde passarão por um período de adaptação de 60 dias”, explicou a magistrada sobre o trâmite do processo. Isto é, o casal possui a guarda para fins de adoção e se tudo der certo, uma nova sentença formalizará o registro da família.

A juíza destacou ainda que desde o início da quarentena, a Comarca de Tarauacá deferiu a reintegração de nove crianças, assim demonstrando que os andamentos dos processos continuam apesar das medidas preventivas ao contágio do novo coronavírus.

“Estamos comemorando os 30 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente com números que muito nos orgulham, porque temos a gratificante missão de tanto na adoção, quanto na reintegração devolver as crianças para um ambiente onde se sintam seguras e protegidas, onde tenham a chance de crescer de forma saudável. O amor e o melhor interesse da criança e do adolescente seguem como sendo prioridade da comarca”, enfatizou Joelma Nogueira.

Fonte: TJAC

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BRASIL

País trata povo como bestializado em epidemia

Folha de São Paulo, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Estudos sobre Revolta da Vacina desmontaram dicotomia entre Estado que tudo pode e cidadão que a tudo obedece.

Foi o historiador Jacques Le Goff que, organizando em 1985 a obra “As Doenças Têm História”, chamou atenção para o fato de que, frente às doenças, o homem não estaria ligado apenas ao progresso científico e tecnológico da medicina e da saúde pública, mas antes à história mais profunda dos saberes, das práticas ligadas às estruturas sociais, das instituições e das mentalidades.

Por isso, os modos de andar a vida de uma sociedade serão sempre o melhor indicador da reação dos indivíduos às mudanças a que se veem submetidos e, desse ponto de vista, a doença pode ser um sintoma do mal-estar social, manifestando-se como uma forma de resistência passiva à organização deletéria do trabalho, às injustiças e à desigualdade social.

No caso brasileiro, talvez possamos inserir aí mais uma camada de historicidade, pois foi no alvorecer da República em 1889 que rondaria ainda a pergunta: teria o Brasil um povo?

Bonde tombado na praça da República, no Rio de Janeiro, durante a Revolta da Vacina – Divulgação.

No entanto, aquele prognóstico fora confrontado quando nos aproximamos da história das epidemias e endemias em todo o território, quer no levante e na resistência da população ao perceber as ameaças que sofria, quer nas próprias vítimas, que expõem com seus corpos e vidas o lugar de sua existência e valor na formação da nação.

A esse respeito, duas histórias merecem ser lembradas. A Revolta da Vacina, em 1904, talvez seja a mais conhecida, pelos muitos estudos que ajudaram a desmontar a dicotomia que haveria entre o Estado que tudo pode e o cidadão que a tudo obedece.

Nessa revolta, mesclaram-se ideias políticas, cultura local e revoltas policlassistas às disputas científicas em torno da vacinação da varíola e da violência das medidas draconianas do Estado para remodelar a cidade expulsando centenas de pessoas de seus lares para os morros e os subúrbios cariocas.

Aquela população, em grande parte formada por ex-escravos e imigrantes, entre os dias 9 e 16 de novembro, após a ratificação de vacinação obrigatória contra a varíola pelo Diretor da Diretoria Geral de Saúde Pública, Oswaldo Cruz, saiu às ruas aos milhares, montando barricadas e expressando sua insatisfação diante das ações que se perpetraram, inclusive, com a política de vacinação adotada e suas
legislações violentas.

Enfrentou a polícia, o Exército, os bombeiros e até a Marinha. Eram os bilontras, expressão com que o historiador José Murilo de Carvalho definiu esses cidadãos que não estavam de fora do mundo político por inércia, mas atentos para se insurgir quando seus interesses fossem atacados.

Da parte da Saúde Pública, Oswaldo Cruz varreu a varíola do Rio de Janeiro com suas medidas, dado que não pode ser subestimado.

Já o grito ao povo rebelado restou o uso da extrema violência pelo Estado: 23 mortos, dezenas de feridos, muitos presos enviados para a Ilha das Cobras e para o Acre.

Após traumática experiência, logo nasceria um movimento sanitário de outra ordem, que passou a ver as idiossincrasias do regime, também com suas pendências sociais, originando a Liga Pró-Saneamento do Brasil.

Monteiro Lobato cunhou tal mudança de visão em seu Jeca Tatu, que não seria um degenerado racial, mas um doente: “o Jeca não é assim, está!”, como milhares de cidadãos espalhados pelo território.

Mas não podemos parar por aqui. Quando não há nenhuma assistência médica e de saúde e expomos a população diante das doenças, ela sai vitoriosa?

Ao nos aproximarmos das histórias individuais de nossa gente em momentos de epidemias, revelam-se outras facetas, outros dramas particulares a esse respeito, tão importantes quanto a compreensão mais ampla de fenômenos epidêmicos.

Sobre isso, caberia lembrar que, nos anos 1940, a meningite já existia entre os brasileiros, tendo redundado, no caso paulistano, numa epidemia em 1945, totalmente negada pelas autoridades.

Numa reportagem jornalística de 1941, o Diário da Noite trouxe a história de Edith Abel, 28, negra e moradora da periferia da Zona Leste.

Vendo seu filho de oito meses apresentando sintomas de uma doença grave, Edith dirigiu-se à Santa Casa, onde, com muito esforço, conseguiu ser atendida por um clínico, que verificou que a criança estava atacada de meningite. Com a lotação do hospital, ela não foi internada.

Indo mãe e filho de volta para casa, uma transeunte, impressionada com o aspecto da criança, chamou a atenção de Edith para a palidez do rosto do menino e a mãe percebeu que ele estava morto. Sentando-se no passeio público com o cadáver nos braços, Edith Abel chorou desesperadamente, atraindo grande número de curiosos.

Essa narrativa tão chocante é apresentada pela História como um elo entre passado-presente e a pergunta: quanto vale uma vida?

Brasileiros e brasileiras hoje se veem diante de parte desse passado, ao se verificar, na crise atual, um tratamento vindo de certas hostes do poder e mídia que insistem em inferir que somos aquela massa bestializada incapaz de compreensão, vontade e ação, propondo, inclusive, expor vidas ao risco de contaminação como se nada valessem, pois seriam os fracos e dispensáveis.

Tal concepção está na mesa mais uma vez, cabendo à coletividade impor sua voz no sentido contrário, não se submetendo a qualquer projeto de ameaça aos mais vulneráveis, mas, ao contrário, protegendo-os.

Isso se faz horizontalizando as ações de solidariedade com os que mais necessitam, principalmente os idosos e pobres; e exigindo, diariamente, ações concretas e responsáveis dos governantes em todas as instâncias.

E, mais do que isso, se faz apoiando de forma intransigente o Sistema Único de Saúde e acatando tão-somente as determinações das autoridades médicas e de saúde pública, viabilizadoras tecnológicas capazes de conter a pandemia. Se assim for, ainda podemos sonhar que no Brasil, oxalá no mundo, amanhã vai ser outro dia.

Por André Mota, historiador e professor associado do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

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