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ELEIÇÕES 2018

Planos dos presidenciáveis ignoram fila de espera de 1 milhão por cirurgias

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Propostas de governo dos presidenciáveis são vagas e desconectadas da realidade.

Todo ano eleitoral é a mesma ladainha. A saúde sempre aparece como principal reclamação do eleitor, mas nem de longe se traduz como prioridade nos planos de governo dos candidatos. É o que fica claro nas propostas apresentadas pelos presidenciáveis no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em geral, os planos são genéricos, sem metas específicas e não consideram o cenário de crise econômica e de ajuste fiscal enfrentado pelo país. Não há nenhuma proposta, por exemplo, para minimizar o gargalo das cirurgias eletivas nos hospitais públicos e filantrópicos que prestam serviços ao SUS.

 A fila de espera para esses procedimentos chega a quase 1 milhão, segundo levantamento feito ano passado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) com base na Lei de Acesso à Informação. A situação pode ser bem pior já que sete estados (Acre, Amapá, Piauí, Rio de Janeiro, Sergipe, Santa Catarina e Roraima) ignoraram o pedido de informação ou se negaram a respondê-lo.

Ao mesmo tempo, essas filas escondem muita duplicidade. Já sabendo das dificuldades e da demora, as pessoas entram na lista de vários serviços. Em razão da falta de uma integração de dados, continuam com os nomes nas filas mesmo quando já conseguiram fazer a cirurgia.

Ano passado, o então ministro da Saúde Ricardo Barros prometeu que até o fim deste ano toda a informatização do sistema de saúde estaria concluída. Embora há quem duvide de que isso aconteça, apenas a informatização não basta se os sistemas de dados não estiverem integrados.

O prontuário eletrônico só faz sentido se seguir o paciente em todos os níveis de assistência. Só haverá chance de o SUS avançar mais casas se o bê-á-bá da organização do sistema de saúde for seguido: atenção primária resolutiva, ancorada na medicina de família, e coordenadora dos cuidados e consolidação das redes de saúde (quando um grupo de municípios é atendido por uma rede de especialistas, exames e hospitais em comum).

Se esses dois níveis de atenção (primário e secundário) estivessem minimamente organizados, a demanda nas emergências dos hospitais públicos seria menor, já que a maioria das pessoas que recorrem a esses serviços poderia resolver sua queixa na atenção primária ou nos ambulatórios de especialidades.

Não é preciso reinventar a roda. Há experiências exitosas no próprio SUS e a Folha tem mostrado isso. Querem conhecer uma atenção primária que funcione? Dê uma espiada no que Florianópolis, aos trancos e barrancos, tem feito.

Pensam que a organização da fila de espera por especialidades não tem jeito? Conheçam então a experiência de Porto Alegre. Consideram que o caos nas emergências é insolúvel? Vejam o que essa parceria do Sírio-Libanês com o Ministério da Saúde tem possibilitado.

Na série E agora Brasil? – Saúde, além do diagnóstico dos principais problemas de saúde, elencamos propostas em vários âmbitos. Mas, às vezes, a sensação é de chover no molhado. Pregar para convertido.

O momento é crítico para a saúde pública. Há reais perspectivas de perdas de recursos em razão do ajuste fiscal, tem aumentado o número de usuários egressos de planos de saúde, doenças eliminadas, como o sarampo, estão ressurgindo, há uma queda histórica na cobertura vacinal, a taxa de mortalidade infantil cresceu e por aí vai.

Diante disso tudo, é desanimador ver que as propostas dos presidenciáveis para o setor sejam tão vagas. Não há dúvida de que esses planos possam ser melhorados depois, mas, hoje, são os únicos documentos oficiais por meio dos quais será possível fazer escolhas na hora de votar e, principalmente, cobrar a execução desses projetos depois das eleições.

Cláudia Collucci

Jornalista especializada em saúde, autora de “Quero ser mãe” e “Por que a gravidez não vem?”. Folha SP.

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ACRE

DEPUTADO JOSA DA FARMÁCIA TEM MANDATO CASSADO POR COMPRA DE VOTOS

Folha do Acre, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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O deputado estadual pelo Podemos do Acre, Josa da Farmácia, teve o seu mandato cassado por decisão da Justiça Eleitoral. Josa foi reeleito na última eleição com 6.412 votos.

O Tribunal Regional Eleitoral decidiu cassar o mandato do deputado por 4 votos a 2 dos desenbargadores.

Josa da Farmácia é acusado de comprar de votos na eleição de 2018.

Apesar de votarem pela cassação, o TRE do Acre decidiu que não irá fastar o deputado imediatamente, dando assim, prazo para que Josa se defenda das acusações ainda no cargo de deputado.

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ELEIÇÕES 2018

Trabalho de Moro me ajudou a crescer politicamente, diz Bolsonaro

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Indicação de juiz é criticada por petistas, que veem politização da Justiça.

Em entrevista a alguns veículos de imprensa, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) elogiou o trabalho de Sergio Moro como juiz ao falar de sua nomeação como Ministro da Justiça.

“O trabalho dele muito bem feito. Em função do combate à corrupção, da Operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer politicamente falando”, disse Bolsonaro.

Moro foi quem assinou a ordem de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decisões causaram polêmica como a divulgação da conversa do petista com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e da delação de Antonio Palocci pouco antes da eleição.

“Se eles estão reclamando, é porque fiz a coisa certa”, disse o presidente eleito.

Segundo ele, o economista Paulo Guedes, que assumirá a Fazenda, foi quem fez a ponte com Moro. Bolsonaro afirmou desconhecer em qual momento a sondagem teria sido feita.

“Mas isso daí não tem nada a ver. Se foi umas semanas, um dia antes da eleição, não tem nada  a ver”, disse.

Segundo seu vice, Hamilton Mourão, o convite ocorreu ainda durante a campanha, o que suscitou críticas, por sugerir que a atuação do magistrado tenha sido pautada pela disputa eleitoral.

“Ah, não sei, não sei. Tenho pouco contato com o Mourão, estou aprofundando o contato agora com ele”, respondeu o presidente eleito.

Bolsonaro afirmou ter concordado em dar autonomia a Moro para nomear e conduzir as atividades da pasta. Ele não detalhou como ocorrerá a ampliação do Ministério da Justiça em seu governo. Confirmou a incorporação da pasta de Segurança Pública.

“Uma parte do Coaf [estará] lá também, porque ele [Moro] tem que ter informações. A CGU não iria para lá dessa forma aqui, carece de estudo. Temos que ver se não estamos incorrendo em nenhuma inconstitucionalidade”, disse. 

“Mas parcelas desses órgãos a gente vai ter dentro da Justica para que possa trabalhar com velocidade que essa questão merece.”

Para o presidente eleito, a violência cresce “via crime organizado” e “o caminho para combater isso é seguir o dinheiro e você tem que ter meios para tal. O Ministério da Justiça daria todos os meios para Sergio Moro perseguir esse objetivo”.

Bolsonaro afirmou que não acertou um prazo de trabalho para o juiz no governo ou para vir a indicá-lo ao Supremo Tribunal Federal. 

“Não ficou combinado, mas o coração meu lá na frente… ele tendo um bom sucessor, isso está aberto para ele”, disse.

“A decisão dele é difícil, vai abrir mão da carreira, tem 22 anos de serviço, para enfrentar um desafio. Chamo ele de soldado, que está indo para a guerra sem medo de morrer. Vai ter muito mais poderes do que estando à frente da Vara da Justiça Federal em Curitiba

Bolsonaro disse que se um membro de seu governo for investigado ou denunciado, “vai pro pau, pô. Não tem essa história, não. Quem for por ventura denunciado, vai responder”.

​O presidente eleito foi questionado sobre a sua relação com a imprensa e o motivo de ter dado a entrevista apenas para emissoras de televisão, sem incluir jornais.

“A imprensa está muito diversificada, eu cheguei aqui graças às mídias sociais. Quem vai fazer a seleção de qual imprensa vai sobreviver ou não é a própria população”, respondeu. “A imprensa que não entrega a verdade vai ficar para trás.”

Segundo ele, a exclusão de veículos se deu por conta de “espaço físico, não mandei restringir ninguém, não”.

Folha SP

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