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Planilhas mostram que detentos do Acre se alimentam melhor que os trabalhadores
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A polêmica decisão da juíza da Vara de Execuções Penais, Luana Campos, determinando que o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) autorize a entrada de salgados e refrigerante durante visitas íntimas argumentando falta variedades na alimentação nos presídios do estado, gerou uma repercussão em todos os setores da sociedade, haja vista, segundo apuração do ac24horas, a alimentação de presos é superior a de trabalhadores do Estado. A decisão da magistrada permite que o visitante possa entrar com até três salgados e um refrigerante de até dois litros nos dias de visita.
Documentos obtidos com exclusividade porac24horas demonstraram que a alimentação de detentos além de ser variada, é muito mais recheada do que trabalhadores do Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa), que cumpre carga-horária superior a 8h por dia. Segundo apurou a reportagem, enquanto um servidor a marmita de um trabalhador é recheada com apenas 600 gramas de alimento, a dos detentos do sistema prisional acreano é de 800 gramas, no mínimo.
A frequência semanal de preparações das refeições passa por uma fiscalização rigorosa de uma nutricionista responsável pela verificação da qualidade das marmitas. Pelos menos três vezes por semana os detentos comem carne sem osso e em outros dois dias comem frango desossado. Peixe é servido uma vez em 7 dias. As misturas são sempre servidas com arroz, feijão, farofa e salada. Uma vez a cada 15 dias os detentos consomem salsicha ou linguiça como prato principal. Ainda segundo levantamento feito por ac24horas, todos os dias os presos tem como desjejum pão francês com manteiga e café com leite. A dieta de um detento chega ao mínimo de 2.500 calorias.
Por mês, o Estado desembolsa mais de R$ 4,5 milhões com o pagamento da alimentação de presos. Somente com a alimentação, atualmente cada detento custa R$ 800 ao sistema prisional. Chama atenção ainda a qualidade da carne servida: carne assada, bife de panela, bife acebolado, guisado de carne , fraldinha assada, frango assado sem pele e peito de frango frito.
Procurado por ac24horas para se posicionar em relação a decisão de Luana Campos, o secretário de segurança pública, Paulo César, afirmou que a decisão da magistrada é um tanto contraditória já que os detentos do sistema prisional tem uma alimentação superior em relação há muitos pessoas do Estado. “A decisão se torna contraditória a partir do momento que ela afirma que as refeições não atendem as necessidades , não apresenta uma variedade muito grande. É contraditória nesse sentido. Agora vale ressaltar que tal decisão ela foi motivada por uma representação do Ministério Público, que também nos causa estranheza e talvez seja motivada por desconhecerem efetivamente qual o cardápio disponível para o sistema penitenciário. Eu posso afirmar taxativamente que hoje a alimentação servida aos custodiados é de alta qualidade, em quantidade mais do que suficiente, muito mais do que destinada a qualquer trabalhador. Em razão pela qual consideramos de certa forma que a decisão é incongruente, fora da razoabilidade”, disse o gestor, afirmando que os advogados do Sistema Prisional já trabalham para recorrer da decisão da juíza.
Paulo César enfatiza ainda que a medida judicial vai de encontro a medidas estratégicas adotadas pela atual gestão na quesito de o Estado controlar de fato as unidade penitenciárias. O secretário destacou que em muitas localidades, os presos era quem controladas as penitenciárias e através de um trabalho integrado que ocorre conjuntamente em todo o país, o Estado resolveu assumir essa responsabilidade. “O fato de abrir essa brecha nessa parte da entrada de alimentação vai nos obrigar a reforçar ainda mais o sistema, nos obrigará a ter muito mais recursos humanos para fiscalizar essa demanda. Nossa preocupação é que através dessas entrada, problemas possam ocorrer. É importante ressaltar que as pessoas que estão no presídio, antes de tudo, estão cumprindo uma pena. Isso não quer dizer que elas tenham que passar por constrangimentos e privações as suas necessidades básicas. O Estado tem procurado garantir as condições necessárias para essas pessoas”, disse.
César revela ainda que o trabalho conjunto do Estado reforça a segurança e controlar os presídios tem garantido bons feitos no interior do Acre, mas que na capital, as dificuldades tem sido maiores. “Em todos os presídios do interior nós conseguimos recuperar a ordem e decisões como esta vão realmente de encontro a retomada da ordem no interior do presídios”, argumentou.
Juíza emite nota para esclarecer ordem enviada ao Iapen sobre alimentação de detentos
Após negativa repercussão da notícia de que a Vara de Execuções Penais havia anulado portaria do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) e exigido a permissão de visitas íntimas levando salgados e refrigerantes, a juíza Luana Campos emitiu uma nota de esclarecimento na manhã desta sexta-feira, 24, para tentar esclarecer as informações.
Segundo a magistrada, ela apenas “acatou parcialmente o pedido ministerial para anular parte do artigo 10 da Portaria n. 573/2019, que não permite a entrada de alimentos em dias de visita íntima”. A ordem, conforme a nota, é de que a Presidência do IAPEN emita um novo ato descrevendo quais alimentos poderão ser levados e sua respectiva quantidade nesses dias, no prazo de dez dia.
Na decisão, consta que “muitos privados de liberdade aguardam ansiosamente pela alimentação trazida por sua visita, já que a alimentação fornecida pela unidade penitenciária não tem variedade”. O documento observa que o Iapen não observa as regras do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.
Ao ac24horas, o diretor-presidente do Iapen, Lucas Gomes, disse que irá acatar a decisão, mas que vai recorrer à ordem superior, caso não consiga entrar num consenso com o juízo
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Projeto de extensão seleciona resumos expandidos para publicação — Universidade Federal do Acre
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22 horas atrásem
26 de maio de 2026O projeto de extensão ComunicAÇÃO, da Ufac, realiza processo seletivo para submissão de trabalhos extensionistas, na modalidade de resumo expandido. Os selecionados comporão a Coleção de Cadernos de Extensão “Ufac e Comunidade”. As inscrições estão abertas até 30 de junho, por meio de formulário online.
O trabalho inscrito deve estar contemplado em uma das áreas temáticas: comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção, trabalho. Cada resumo deverá estar vinculado a uma ação de extensão (projeto, curso, evento ou programa) institucionalizada na Ufac.
“O resumo expandido deverá evidenciar, de forma clara e consistente, as experiências adquiridas e/ou vivenciadas junto à comunidade externa ao longo do desenvolvimento da ação de extensão, destacando as interações estabelecidas, os impactos gerados, os aprendizados construídos e as contribuições mútuas decorrentes da execução das atividades”, detalha o item 3.1 do edital.
A seleção consiste em avaliação por uma comissão que indicará 50 trabalhos aptos para publicação na 1ª Edição da Coleção de Cadernos de Extensão, considerando a formatação e os aspectos científicos, além do envolvimento da comunidade externa, dos resultados obtidos e da efetividade da metodologia proposta. O resultado final do processo seletivo está previsto para 21 de agosto.
Para mais informações sobre o certame, leia o edital Proex n.º 9.1/2026.
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Reitora da Ufac participa de fórum Brasil-África em Brasília — Universidade Federal do Acre
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1 dia atrásem
26 de maio de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou, nessa segunda-feira, 25, em Brasília, do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Ministério da Educação (MEC), ela representou a Ufac no encontro, acompanhada da pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino Ferreira. O evento segue até quarta-feira, 27, e tem como foco o fortalecimento da cooperação internacional em educação superior entre universidades brasileiras e instituições africanas.
Guida destacou a importância da presença da Ufac em um espaço voltado ao diálogo internacional e à construção de parcerias acadêmicas. Segundo a reitora, a aproximação entre Brasil e África por meio da educação, da pesquisa, da inovação e da troca de experiências permite avançar em soluções conjuntas para desafios comuns. “Temos histórias, identidades e desafios que nos aproximam, e a universidade tem um papel fundamental nessa conexão”, afirmou.
O fórum é uma iniciativa liderada pelo MEC, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. A programação reúne reitores, pró-reitores e assessores de cooperação internacional de universidades federais, estaduais e privadas do Brasil, além de representantes de universidades africanas mobilizadas pela Associação de Universidades Africanas.

A proposta do encontro é ampliar as relações acadêmicas entre Brasil e África, com a construção de novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, setor aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.
A programação inclui painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões voltadas à construção de novas parcerias universitárias. Ao final do evento, os resultados e compromissos construídos serão formalizados na Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, documento que deve orientar os próximos passos da cooperação entre universidades brasileiras e africanas.
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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
22 de maio de 2026Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.
A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.
O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.
Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.
A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.
A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.
Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.
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