ACRE
Motorista de BMW que atropelou e matou mulher que ia ao trabalho no AC responde a pelo menos seis processos na Justiça
PUBLICADO
6 anos atrásem
Ícaro José da Silva Pinto continua preso no Bope e aguarda julgamento do mérito do habeas corpus.
capa: Motorista de BMW que matou jovem atropelada no Acre é preso no posto fiscal da Tucandeira — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre.
Ícaro José da Silva Pinto, o motorista da BMW que atropelou e matou Jonhliane de Souza, de 30 anos, no último dia 6, na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco, responde a pelo menos outros seis processos na Justiça do Acre.
Em ações registradas desde 2013, Pinto tem acusações desde ameaça, agressão, sendo duas lesões corporais graves, uma delas no estado da Bahia, dois roubos majorados por ter comprado dois carros de luxo e não ter pago.
Há ainda o envolvimento dele em outras duas confusões em festas. Em 2018, ele chegou a ser preso em flagrante. Além do caso de Jonhliane. O G1 teve acesso à informação por meio da equipe da Rede Amazônica Acre.
Jonhliane foi atingida pela BMW em alta velocidade, que era dirigida por Ícaro. A suspeita é que ele e Alan Araújo de Lima estariam fazendo um racha no momento em que a mulher foi atingida.
Alan Araújo foi preso preventivamente no último dia (14), na casa de um irmão, segundo a polícia. Já Ícaro Pinto foi preso no último dia 15, no posto da Tucandeira, divisa do Acre com o estado de Rondônia. Ele voltava de Fortaleza, para onde tinha ido após sofrer ameaças, segundo informou a defesa dele ainda na sexta.
Os dois tiveram pedido de habeas corpus negado pela Justiça, na segunda-feira (17).
O advogado Sanderson Moura, que defende Pinto, disse ao G1 que o motorista da BMW continua preso no Batalhão de Operações Especiais (Bope) e aguarda o julgamento do mérito do habeas corpus dele.
Questionado sobre as outras ações nas quais o cliente está envolvido, Moura disse apenas que representa Ícaro no caso Jonhliane.
O advogado de Alan Araújo, Romano Gouveia, disse à equipe da Rede Amazônica que apenas a liminar do habeas corpus dele que foi negado, mas aguarda a corte do Tribunal de Justiça analisar o mérito do HC. O advogado ainda informou que nessa análise, ele vai colher mais provas e estudos técnicos para sustentar a defesa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/t/z/vH3swYSUyW4Fg4tM35fg/capturar.jpg)
Dupla suspeita de praticar racha que matou mulher quando ia ao trabalho no AC têm habeas Corpus negado — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre
Pedido de soltura
Os dois advogados já tinham afirmado que fariam o pedido de soltura dos condutores dos veículos.
O advogado Giliard Souza que à época representava o motorista do outro carro, Alan Araújo, disse ele se entregou sem nenhuma resistência e reafirmou que não havia motivo para a prisão e que a defesa está preparando o pedido de revogação da prisão dele. “A gravidade de um delito também não é requisito para uma prisão preventiva. Então, são alicerçados nessas garantias fundamentais constitucionais que nós estamos pleiteando”, acrescentou.
Souza reforçou no sábado (15), à equipe da Rede Amazônica Acre, que a polícia e o Ministério Público vão ter que provar que o então dele estava realmente participando de um racha e que a prisão dele era arbitrária e que ia entrar com as medidas legais.
“Em hipótese alguma, Alan nega veementemente que participava de um racha, infelizmente, passava naquela via no momento, como tinham outros veículos passando. Eu quero que o MP e que a autoridade policial provem com todas as letras que se tratava de um racha. Não é porque um vídeo mostra que os carros estavam em alta velocidade que se tratava de um racha, isso depende de uma perícia, depende de várias análises, e cabe ao acusador provar isso”, afirmou.
O advogado falou ainda que antecipar uma culpa e uma pena é um absurdo e por isso vai tomar todas as medidas cabíveis.
“Antecipar culpa sem o crivo do contraditório é uma arbitrariedade, e isso nós não concordamos, por isso, tomaremos todas as providências, vamos levar esse caso à Brasília, ao Supremo Tribunal Federal, inclusive ao Conselho Nacional de Justiça. Entendemos que a prisão de Alan é absurdamente ilegal, por isso tomaremos as providências”, acrescentou.
Já o advogado do motorista da BMW Ícaro, Sanderson Moura, afirmou que nem a polícia e nem o MP-AC vão conseguir provar o possível racha.
“Foi apenas uma situação que colocaram publicamente, mas que ali nós estamos diante de um homicídio culposo, que não há necessidade dessa prisão preventiva em um crime de trânsito. A gente entende que tenha criado uma comoção pública e que uma pessoa tenha sido vítima disso, é natural, mas nós estamos diante de um crime de trânsito, que ainda vai ser debatido se é doloso ou culposo. Não está provado que foi doloso, não está provado que houve racha”, ressaltou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/v/g/Yk6oX8RomwlA2sEFdAKg/img-20200806-wa0004-2.jpg)
Jonhliane Souza foi atropela e morta quando seguia para o trabalho na manhã desta quinta-feira (6) — Foto: Arquivo da família.
Investigações
A investigação aponta que Ícaro e Alan, que dirigia o outro veículo envolvido no acidente, faziam um racha no momento em que a mulher foi atingida e acabou morrendo. Alan foi preso, após a Polícia Civil cumprir mandados de prisão preventiva contra os dois. Ícaro não tinha sido achado, pois estava fora da cidade.
Jonhliane ia para o trabalho de motocicleta quando foi atingida pela BMW e morreu no local do acidente. O caso ocorreu no último dia 6, na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco.
A polícia e o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) afirmam que os condutores faziam um racha.
O delegado que investiga o caso do atropelamento seguido de morte, Alex Danny, disse à equipe da Rede Amazônica Acre, no último dia 14, que as investigações confirmaram que Ícaro e Alan faziam um racha no momento em que a mulher foi atingida.
“Pelos elementos que temos hoje juntados ao inquérito eu posso afirmar que eles [Alan e Ícaro] estavam fazendo, sim, um racha, os elementos que temos dão conta de que havia uma disputa automobilística ali mesmo, podia não estar previamente combinada, mas, tudo leva a crer que de fato eles estavam nessa disputa de racha e isso nós vamos apresentar no final do inquérito”, afirmou.
O MPAC, por intermédio da 6ª Promotoria de Justiça Criminal, com atribuições perante a 2ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, informou que a investigação constatou que os acusados estavam disputando racha e fugiram do local do crime, sem prestar socorro à vítima.
O órgão informou ainda que, segundo a polícia, os dois tinham saído de uma festa e estavam embriagados. O promotor que está à frente das investigações, Efrain Enrique Mendoza Mendivil Filho, se manifestou favorável ao pedido de prisão preventiva e que os dois suspeitos devem responder pelo mesmo crime.
“Não só aquele que colidiu com a motocicleta tem que responder pelo crime, como também o outro condutor. Os dois vão responder por homicídio doloso contra a vítima porque estavam fazendo racha e são autores do crime. É o mesmo crime, a diferença que há é que o carro que passou por cima de vítima e a jogou no ar foi o do Ícaro. Não foi um acidente, mas sim um homicídio doloso”, disse
O MP pediu também, além da prisão preventiva, que outras medidas sejam adotadas, entre elas, a quebra do sigilo de dados telefônicos e acesso àss redes sociais dos suspeitos.
Relacionado
ACRE
Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
Relacionado
ACRE
A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
PUBLICADO
2 semanas atrásem
10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
Relacionado
ACRE
Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.