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Jacaré com chifre? Bicho existia no Acre e pode ser elo perdido entre parentes
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7 anos atrásem
Existência de criaturas tão peculiares está, ao que tudo indica, ligada ao aparecimento de um superpantanal amazônico no passado
Como o nome científico indica, o Acresuchus pachytemporalis vivia na região do atual Acre. Medindo uns 4 m de comprimento, o réptil era tão grande quanto o jacaré-açu, maior espécie viva de seu grupo na América do Sul, mas não passava de um nanico para a época: outros jacarés daqueles tempos podiam ultrapassar os 12 metros.

Aliás, é justamente o parentesco com tais gigantes – além, é claro, dos inusitados chifres – que chamou a atenção dos cientistas. Algumas características do Acresuchus fazem dele uma espécie de elo perdido, ajudando a entender certos passos da origem dos jacarés descomunais.
A descrição formal da espécie, feita com base em seu crânio, foi publicada recentemente na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology.
A existência de criaturas tão peculiares quanto o jacaré chifrudo está, ao que tudo indica, ligada ao aparecimento de um “superpantanal” amazônico durante o Mioceno, época geológica em que o animal viveu.
Nessa fase da história da Terra, os processos de elevação das grandes montanhas dos Andes acabaram alagando boa parte do interior da Amazônia, além de despejar enormes quantidades de sedimentos na região (coisa que, em menor grau, acontece ainda hoje).
“Os novos sedimentos andinos fertilizaram toda essa paisagem, formando solos que permitiram o crescimento de uma densa vegetação, com alta diversidade. E, a partir de um ambiente rico e diversificado, a biodiversidade tende a crescer mais graças às especializações e interações que se acumulam”, explica Douglas Riff, paleontólogo da Universidade Federal de Uberlândia e um dos autores do estudo.
Com inúmeros recursos à sua disposição, as formas ancestrais de jacarés e crocodilos se puseram a ocupar vários nichos ecológicos diferentes. Alguns se tornaram predadores gigantes, como o Purussaurus, monstro de até 12,5 m que tinha uma das mordidas mais potentes já registradas. Outros, os gavialoideos, de focinho comprido e fino, especializaram-se na captura de peixes. Havia também formas terrestres, os sebecídeos, e caçadores aquáticos menos especializados.
“Hoje em dia, apenas o nicho generalista é ocupado por esses animais na América do Sul”, explica Giovanne Cidade, da USP de Ribeirão Preto, que também assina o estudo ao lado de sua orientadora, Annie Schmaltz Hsiou.
De acordo com Riff, algumas espécies de crocodilos modernos possuem leves projeções nas bordas do teto do crânio, logo acima da região do ouvido, que poderiam ser consideradas “chifres” rudimentares. Em tais bichos, parece que essas projeções são exibidas quando machos disputam território ou tentam atrair as fêmeas.
Outras espécies do grupo, já extintas também, exibem estruturas semelhantes a chifres que se projetam das laterais cranianas, da mesma maneira. Mas só o Acresuchus possui protuberâncias maciças que apontam para cima e para o meio do crânio, crescendo a partir da parte de trás dos olhos.
A hipótese da equipe é que tais chifres também fossem usados como sinal de “macheza” em disputas por território e parceiras, mas não se pode descartar a possibilidade de que eles também fossem usados para dar chifradas em rivais.
Para entender a saga do “reino dos crocodilianos” do Mioceno amazônico, no entanto, são outros detalhes anatômicos do Acresuchus que chamam a atenção. Nas formas gigantes dos bichos, entre as quais se destaca o Purussaurus, é preciso levar em conta as necessidades especiais ligadas a ter um corpo tão grande, e uma das mais importantes é a necessidade de lidar com o excesso de calor.
“Como os crocodilianos de hoje, essas espécies também eram animais que dependiam do ambiente para manter sua temperatura em níveis adequados. Conforme os animais crescem, o volume do corpo também cresce, só que numa proporção maior que seu tamanho externo, o que significa que, quanto maior o animal, proporcionalmente menor será a sua superfície de troca de calor com o ambiente”, diz Rafael Souza, coautor da pesquisa que trabalha no Museu Nacional da UFRJ. Trocando em miúdos: jacarés grandes demais correm o risco de superaquecer, feito um radiador desregulado.
Acontece que o Acresuchus, ao que tudo indica, é um parente bastante próximo do monstro Purussaurus. E duas características do animal recém-descrito podem ter facilitado a evolução do gigantismo.
A narina externa relativamente grande pode ter ajudado a dissipar o calor, ao facilitar trocas de temperatura com o ambiente. E um detalhe do crânio, uma abertura chamada fenestra supratemporal, também é grandalhona no Acresuchus. Por ela passam vasos sanguíneos que ajudam na regulação da temperatura do cérebro. A ideia, portanto, é que o Purussaurus só conseguiu se tornar tão grande porque seus ancestrais menores já tinham adaptações como as do Acresuchus, facilitando assim seu aumento descomunal de tamanho.
O trabalho é fruto da parceria de longo prazo entre a Universidade Federal do Acre, a USP de Ribeirão Preto, a Universidade Federal de Uberlândia e o Museu Nacional da UFRJ.
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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre
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4 dias atrásem
23 de abril de 2026O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.
A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.
Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.
Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.
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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli
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2 semanas atrásem
16 de abril de 2026No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo.
O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:
SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.
A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.
Veja o vídeo:
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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3 semanas atrásem
7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)