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Facções em guerra apavoram comunidade ribeirinha, no centro da capital, em meio a tiroteios de uma margem a outra do Rio Acre

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Na manhã desta segunda-feira (22), a reportagem do AC Jornal foi até à margens do Rio Acre, no centro da cidade, e confirmou o que vem sendo denunciado há tempos: a população ribeirinha de alguns bairros está na linha de tiro de duas facções rivais. Mesmo sem poder fazer muitos registros, colhemos depoimentos e constatamos que casas foram alvejadas, serviços como a travessia do rio (catraias) foram abandonados, além da visível demarcação de territórios imposta pelo poder paralelo. Nossos repórteres ouviram tiros durante a conversa com moradores.

No Primeiro Distrito, entramos na Rua Rio Grande do Sul e fomos recebidos em uma casa habitada somente por mulheres, todas evangélicas. “Meu filho, aqui tem noite que a gente não dorme”, disse uma delas, bastante nervosa (olhando de um lado para outro). “Teve uma batida do Bope e morreu uma moça aqui na Floriano Peixoto”, complementou a moradora. Ali mesmo estava o motivo de tanta apreensão: nos muros de algumas casas próximas ao Cristo Redentor viam-se grafadas as letras CV, iniciais da facção carioca Comando Vermelho. “Todo o centro, incluindo os bairros da Base, Papoco e Preventório, estão sob o domínio do medo.

“Vou vender esta casa e me mandar”, disse um morador que possui um pequeno comércio em frente à sua residência. Do outro lado do rio Entramos pela Rua Cunha Matos e, assim que fizemos a conversão e acessamos a Rua Uirapuru, deparamo-nos com outro muro e um ostensivo aviso em forma de oito letras e dois algarismos, Bonde dos 13, facção criminosa genuinamente acreana e aliada do PCC paulista. “A gente que mora aqui, na Rua Beira Rio, escuta muitos tiros que vêm do Preventório. Já caiu uma bala dentro de uma igreja. Convivemos com esse perigo há anos e já virou rotina”, diz um jovem que trabalha com vendas. “Eu vou vender essa casa, meu barco e me mandar daqui”, repetiu disse um morador antigo, o senhor Oscar Marreiro de Fontes, 78 anos, um dos muitos catraieiros que perdeu a profissão por causa da violência.

“Como vocês estão vendo, nem escadas existem mais. Roubam celulares, cordões e dinheiro neste caminho que nem iluminação tem”, relatou o trabalhador. Na Rua Triunfo, nas proximidades da antiga Rodoviária, tem mais uma pichação com uma recomendação inusitada: proibido roubar na quebrada. “É para que os viciados não roubem na região e, dessa forma, não atraiam a polícia e outros transtornos para o negócio, que é, exclusivamente, a venda de drogas”, decifrou um policial civil das antigas. “Depois da morte do narcotraficante Jorge Rafaat, a rota internacional da cocaína passa agora pelo nosso estado”.

Polícia Militar não dá trégua.
Na esquina das ruas Floriano Peixoto com a Rio Grande do Sul fica localizado o 1°Batalhão de Polícia Militar. Responsável pela região do centro e dos bairros adjacentes, o comando não dá trégua na repressão ao tráfico de drogas e à violência de forma geral. A major Jokebed de Lima Taveira, que responde pela guarnição há um ano, disse que intervém constantemente . “Sempre que temos informações, damos a resposta”, disse, confirmando que os disparos saem das duas margens do rio. “Aqui do nosso lado, uma vez que o Segundo Distrito é de responsabilidade de outro comando policial, fazemos a nossa parte”, assegurou a oficial. Os atiradores, ainda segundo ela, escondem-se na densa vegetação, o que dificulta a visualização. A área é bastante acidentada e cheia de lixo e entulho. “Já encontramos marcas de tiros em uma casa abandonada, mas o difícil acesso dificulta as capturas”, declarou a comandante, para quem os “faccionados” estão usando o rio como “terra de ninguém”.

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.

A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.

Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.

 



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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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